terça-feira, março 28, 2006

M&M’s

Sem açúcar e com afeto.

"A gente se acostuma com certos tipos de estilo, e as pessoas dizem que isto é a sua marca registrada. Isso fica muito monótono. Nós tentamos fazer algo diferente."
Wong Kar Wai

Munique e Match Point formam a dupla de filmes que demonstram inovações na maneira de filmar de seus respectivos diretores. Veteranos, tanto Spielberg quanto Allen reavaliam certos pontos em suas filmografias e demonstram porque não ficaram velhos. A imagem síntese dessa idéia pode ser vista quando o protagonista em Match Point deixa de lado a obra Crime e Castigo de Dostoievski para ler sua antologia, metáfora para uma avaliação não desse filme somente mas sim de toda uma carreira cinematográfica.
São respectivamente 70 e 60 anos de idade, Woody Allen, o mais velho faz sua obra com contexto contemporâneo e pela primeira vez filma fora de seu habitat natural, sai de NY para Londres, onde buscou a liberdade criativa que não estava conseguindo na cidade que foi um dos principais personagens em seus filmes anteriores. A nova geografia veio junto com novos caminhos percorridos pelos personagens. As neuroses existem, a passionalidade também, mas a frieza de alguns é nova em sua filmografia, é uma das poucas vezes que vemos seus personagens cometendo atos desesperados e ao mesmo tempo extremamente calculados. Uma das características nos filmes de Allen são as diferentes formas de ação que se desenrolam na tela, tanto a ações físicas quanto as ações imaginadas pelos personagens, como pensamentos, sonhos ou devaneios materializados. Nesse filme ele deixou com que a ação física extrapolasse a imaginada, nos levando a ambientes da natureza humana que antes somente flertava. O mais interessante, é que, como é um cineasta autoral, com um estilo próprio, seus espectadores mais assíduos não esperavam a ‘virada’ que cometeu na narrativa, levando seus personagens a conseqüências tão trágicas quanto as de um personagem Shakespereano. Não é a toa que ele escolhe para a trilha sonora em vários momentos do filme óperas baseadas em obras do mestre inglês, como “Otelo” ou “Medéia”.
Fazendo um paralelo com Spielberg, onde temos uma carreira cinematográfica marcada pelo otimismo e fantasia, com obras de certa forma mais fechadas, percebemos uma desenvoltura fantástica em Munique, deixando a ambigüidade reinar sem grandes interferências que comprometam a obra (vide o banho que os judeus tomaram dos chuveiros onde deveriam sair gás em “A Lista de Schindler”).
Ao começar Munique, nos deparamos com uma enxurrada de imagens, que nos causam angustia e impotência, como deve ter acontecido com as pessoas que assistiam a transmissão pela TV do atentado terrorista palestino nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Nada de novo, se pensarmos que em “O resgate do Soldado Ryan.” ele havia começado da mesma maneira, nos inserindo durante os primeiros minutos do filme no coração da Segunda Guerra Mundial, mas o decorrer dessa nova história vai nos levar a caminhos diferenciados, onde a ambigüidade vai “falar” mais forte do que as certezas. Nesse filme, ele não procurou tomar partido ou dar respostas para alguns questionamentos, ele aumentou ainda mais nossas perguntas. E o mais interessante é que volta a experimentar, a distorção do olhar com efeito vertigo (travellings para frente em conjunto com o zoom abrindo) que aumenta a tensão em “Tubarão”, o constante contra luz de “Contatos imediatos”, aumentando nossa curiosidade para descobrir quem está por trás das luzes, os adultos filmados da cintura pra baixo em “E.T”, da altura dos olhos das crianças(ou até do próprio E.T), ou os movimentos de camera deslizantes de “Minority Report”. Em Munique, o que mais chama a atenção é a capacidade de nos deixar livres para que busquemos respostas, se é que elas existem, pois o filme também nos propõe isso.
Ao apresentar o herói, ou melhor o anti-herói, já que trata-se de um personagem que possui a vitrine da cozinha de seus sonhos como elemento catalisador para seus devaneios e fugas da realidade, ele nos insere novamente numa família, tradição em seus filmes, mas dessa vez o ”mocinho” não irá lutar contra um inimigo, contra um mal qualquer predefinido, o maniqueísmo passa bem longe, a verdadeira luta do personagem é contra suas incertezas, é uma luta interna constante. Talvez seja a primeira vez que ele deixa um personagem completamente desprotegido no final de um filme, tanto fisicamente quanto emocionalmente, o que acarreta no espectador uma sensação de desamparo tremenda.
Sombrios, mas sempre afetuosos.

Match Point - EUA / Reino Unido, 2005
Direção: Woody Allen
Elenco: Scarlett Johansson, Jonathan Rhys-Meyers, Emily Mortimer, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton
Duração: 122 min.

Munich - EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Geoffrey Rush, Mathieu Kassovitz, Kurt Russell
Duração: 164 min.

quarta-feira, março 22, 2006

preTEXTO



Oficina de leitura e produção de texto para cinéfilos e afins

"O objetivo da Oficina de Leitura e Produção de Textos, PreTEXTO, é usar o cinema para ler, pensar e escrever. A partir da escolha de filmes atuais na programação da Sala de Arte, vamos trabalhar eixos temáticos que servirão como método de leitura e produção dos textos. Serão cinco (05) aulas por mês, com duração de 3h cada, uma sessão de cinema por semana. As aulas vão acontecer no ICBA aos sábados, à partir de 25 de março das 15 às 18h. Inscrições no ICBA."

www.oficinapretexto.blogspot.com

sexta-feira, março 17, 2006

Pedra

rocha que vira prosa
terra palavra
que nasce
do ventre do poeta.

para Drummond.

Quem

Cesar Fernando de Oliveira

Mais um astronauta no Chipre

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Cinema e palavras vagando na rede...

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