sexta-feira, agosto 12, 2005

“Gozo cinematográfico”



Panorama da abertura, abertura do Panorama

Muito me animou a sessão de abertura do IV Panorama Internacional Coisa de Cinema. Saí extasiado com as magníficas experimentações estéticas que alguns dos filmes realizaram.
Tendo como tema A arte do Real, o Panorama iniciou ontem com três obras pungentes. Uma, o curta Da Janela do meu quarto do Cao Guimarães, outra, o longa Aboio, documentário da Marília Rocha, sendo que entre o primeiro e o segundo fomos brindados com outro curta, Eletrodoméstica, do Kleber Mendonça Filho que segue a linha da narrativa mais clássica com forte atenção a psicologia dos personagens.
Da janela do meu quarto é um filme curto(5min) mas bastante contemplativo. As imagens em alguns momentos desfocadas, em slow e quase monocromáticas de duas crianças brigando/brincando na rua em dia de chuva, aliadas ao som que ressalta o barulho de gotas com trilha minimalista, nos remete a pequenas lembranças guardadas na memória, tanto as vividas, quanto as observadas. É um filme com sabor... Sabor de passado.
Eletrodoméstica foi o que mais atraiu o público, isso pôde ser evidenciado pela ovação que o filme sofreu após o término. Uma viagem sem pudores ao cotidiano de uma dona de casa. A única ficção entre os três, um ótimo trabalho técnico aliado a criatividade e boas interpretações. Muito interessante como o diretor nos inseriu no cotidiano solitário e na vida de detalhes de uma mulher, além das maravilhosas cenas onde retrata relações de confissão e prazer com seus objetos eletrodomésticos, como a divisão do baseado com o aspirador de pó( na tentativa de seus filhos não notarem o cheiro) ou o orgasmo estonteante proporcionado pela "montaria" numa máquina de lavar, aproveitando a vibração enquanto a máquina centrifugava as roupas. Uma das cenas que entrou pra história de minhas memórias cinematográficas.
Ao começar Aboio tive a real conclusão de que a discussão estética será tratada com força no panorama, isso já pode ser observado também pela quantidade de trabalhos digitais selecionados.
Aboio é um recorte de imagens, super 8 se mistura ao digital para depois serem transpostos ao 35mm, em alguns momentos a camera parece um pincel criando imagens impressionistas. Videoarte, cinema experimental, documento, poesia... É um caldeirão de possibilidades, demonstra uma forma diferenciada de fazer documentário, se é que podemos rotulá-lo assim.
Saí da sala Walter da Silveira maravilhado com os filmes, assim me veio a mente a citação do Kleber Mendonça na sua apresentação, dizendo que de uma forma de outra Claudio também está fazendo cinema com o Panorama. Experimentações na forma de fazer filmes mesclada com experimentações na forma de fazer cinema.
Parabéns mais uma vez a Cláudio Marques, por nos proporcionar tamanho gozo cinematográfico.

Quem

Cesar Fernando de Oliveira

Mais um astronauta no Chipre

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Cinema e palavras vagando na rede...

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