terça-feira, fevereiro 22, 2005

Rompendo a normose



Rapa-nui

Sinto-me inerte
Como um Rapa-nui
Vendo o mundo do alto
Mas não podendo mover-se

Amarras virtuais prendem minha imaginação
Que não podia voar
Pois haviam cortado suas asas

Flash backs clareiam a escuridão
Parece surgir uma luz no fim do túnel
É a vida!

Ela chama-me
Grita-me loucamente
E dá-me sua mão
Mostrando-se bela e reluzente

Num impulso liberto-me e choro
Agradecendo imensamente.


César Fernando
(Primeira versão em 02/04/99)

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

O primeiro Scorsese



Como estava trabalhando na transmissão do carnaval pela manhã e não sou um “folião assíduo”, usei o tempo livre pra fazer uma das coisas que mais gosto: assistir filmes. Antes de ser estudante de Cinema sou cinéfilo declarado, dessa forma de vez em quando acabamos encontrando obras preciosas, se elas são lapidadas ou não, aí já é outra história.
A lista de filmes no Cinema não estava tão sedutora assim, dessa forma resolvi apelar para locação, foi aí que me deparei com o não esperado e ao mesmo tempo tão interessante “Who's That Knocking at My Door?”(1968, P&B), que poderia ter se chamado “Bring on the Dancing Girls”ou “I call first”, durante os cinco anos que demorou para ser concluído. Martin Scorsese, então regresso do curso de cinema da New York University lançava seu primeiro longa, que chamou a atenção primeiro de um professor(quando ainda era trabalho de conclusão de curso) que depois ajudou na produção e posteriormente da crítica em Chicago.
O filme tem um frescor em sua forma ao mesmo tempo uma forte carga emocional, Scorsese escreveu no livro “Scorsese on Scorsese” que aprendeu a dirigir filmes estudando sistematicamente o ofício na universidade, e não pela prática nos sets de filmagem, como ocorreu com grande parte de seus colegas de profissão. Encontramos várias referências ao Cinema anterior a ele, como a montagem de atrações de Eisenstein ou o “jump cut” criado por Godard.
Nota-se a precariedade da produção em alguns momentos, como as locações simples(foram usadas as casas da avó de Scorsese e de alguns colaboradores do filme, além do clube que frequentavam durante a universidade para não precisar pagar aluguel de bares) e poucas cenas externas (devido a dificuldade em parar transito e pedestres que não davam credibilidade à equipe que iniciava carreira), mesmo assim já conseguimos perceber a marca do diretor, com enquadramentos e movimentos de camera ousados além do uso de temas provocativos, como a violência e o submundo dos Estados Unidos, dessa forma ele conseguiu combinar técnica e emoção com forte impacto visual.





sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Retrofoguetes no TCA


Foto by Nancyta

Dia 27 do mês passado teve show dos Retrofoguetes, último dia do XIII Festival de música instrumental aqui de Salvador e lotou a sala do TCA. Mas a polêmica das palavras do Zeca Freitas, um dos curadores do festival, terminou causando “frisson” após terminado o espetáculo.
Zeca, o qual já dediquei algumas linhas desse Blog é músico renomado e talento reconhecido, mas foi infeliz num comentário que fez antes da entrada da banda, que é considerada uma das mais importantes que navegam pela surf music no país. Foi uma tentativa de explicação do porque deles não participarem do Festival no ano passado, mas acabou tornando uma “complicação” o que ele verbalizou.
Imaginem vocês, no lugar de um dos três integrantes da banda, Rex (bateria) , Morotó(Guitarra) e CH(baixo ), atrás das pomposas cortinas do Teatro Castro Alves esperando ansiosamente pelo momento do show e um dos apresentadores do Festival informando que eles haviam ficados de fora no ano anterior por “falta de harmonia em suas músicas”, logo após explicou que foi um preconceito de sua parte e que depois os ouvindo com mais calma corrigiu isso inserindo os mesmos esse ano na lista dos músicos.
Foi, no mínimo, constrangedor encontrar depois os integrantes da banda no foyer do teatro e ouvir dos mesmos que ficaram desapontados com o comentário, que em vez de incentivá-los num momento crítico, só fez deixa-los mais nervosos. Não sou músico, nem crítico musical, mais acredito no bom senso e ainda acho que esse deve imperar em situações como essa. Ficou feio para Zeca, ter chamado os “Fabulosos Retrofoguetes” e depois parecer se desculpar por sua escolha.
Retrofoguetes é a formação pós “The Dead Billies”(Uma das bandas de rock mais cultuadas da Bahia), sem vocal, o som é prioritariamente instrumental, com influencias do psychobilly, Flash Gordon, Galaxy Rangers, música tradicional mexicana, HQ, boleros, Robô Gigante, rockabilly, Isaac Asimov e Perry Rhodan. Estão com o primeiro CD à venda pela Monstro discos, com produção de André T. e Nancyta. Após o show do TCA poucos exemplares restaram no balcão do foyer, e ouvi comentários dos vendedores que aquela havia sido uma das melhores noites.
O show foi maravilhoso, iluminação e som impecáveis, pena que o tempo foi curto, tocaram as músicas do disco recém lançado. Não é como as quase três horas que costumam fazer em seus shows ordinários, com Set lists de fazer inveja, pelo tamanho e qualidade, incluindo até o hino do Senhor do Bonfim. Mas ouvir os Retrofoguetes no TCA teve um gostinho especial...


Capa do CD: Ativar Retrofoguetes!


Set list de um dos shows dos Retros com 38 músicas

Quem

Cesar Fernando de Oliveira

Mais um astronauta no Chipre

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Cinema e palavras vagando na rede...

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