segunda-feira, novembro 29, 2004

"Meu Nome é Paulo Leminski"


"Meu Nome é Paulo Leminski", de Cezar Avila Migliorin, 4'57'', (RJ)

Ontem encerrou o Festival Nacional imagem em 5 minutos aqui na Bahia, e um pequeno vídeo que recebeu menção especial me encantou e também muita gente, talvez merecesse mais que uma simples menção. Não só pela transformação da "casualidade em poesia", como foi anunciado. Mas também pela percepção de uma possível reação do garoto aquela situação em que foi colocado, sensibilidade em movimentar a camera no momento exato, deixar o que está fora do quadro fazer parte e influenciar a narrativa... Estaremos de olho em Cezar Migliorin, muito bom! E imaginando que o vídeo é um único plano, sem cortes.
Outra informação maravilhosa é o prêmio do colega Daniel Lisboa, com "o Fim do Homem cordial" como melhor vídeo do festival, e de seu irmão Diego lisboa, com "Sem a Lona preta", anunciando novos nomes no cenário de Cinema e Vídeo baiano.

Segue a lista do site oficial do festival:

FESTIVAL ANUNCIA OS VÍDEOS PREMIADOS

A solenidade de encerramento aconteceu na Sala Walter da Silveira, que teve sua lotação esgotada. A Comissão de Premiação, presidida por Roberto Santucci Filho e composta por Paula Gaitán, Marçal Aquino, Silas de Paula e Valdy Lopes Ferreira, decidiu quanto à outorga dos prêmios aos vencedores:

PRÊMIO GERALDO DEL REY, Melhor Vídeo: O FIM DO HOMEM CORDIAL, de Daniel Lisboa (BA), no valor de R$ 8.000,00;

PRÊMIO ALEXANDRE ROBATTO, Segundo Melhor Vídeo: O MILAGRE DE DONA RITA, de Cecília Maria Torquato de Oliveira (MG), no valor de R$ 5.000,00;

PRÊMIO CARLOS ATHAÍDE, Terceiro Melhor Vídeo: RISCO, de Bernardo Gebara de Macedo (RJ), no valor de R$ 4.000,00;

PRÊMIO AGNALDO “SIRI” AZEVEDO, Quarto Melhor Vídeo: ESTAS FLAS AFROBRÁS, de Bruno Augusto Alves Vasconcelos (MG), no valor de R$ 3.000,00;

PRÊMIO VITO DINIZ, Quinto Melhor Vídeo: O DIVINO, DE REPENTE, de Fábio Jun Yamaji (SP), no valor de R$2.000,00;

PRÊMIO WALTER DA SILVEIRA, Melhor Vídeo de Jovem Realizador: SEM A LONA PRETA, de Diego Lisboa (BA), no valor de R$ 3.000,00.
O juri decidiu conceder as seguintes MENÇÕES ESPECIAIS:

1, O DITADO, de Tomás Enrique Creus (RS), pela habilidosa combinação entre o lúdico e estético;

2, MÁRIO GUSMÃO, 1º ATO, de Elson Rosário (BA), pelo obortuno resgate de uma figura relevante para as artes e para o movimento negro da Bahia;

3, MEU NOME É PAULO LEMINSKI, de Cezar Avila Migliorin (RJ), pela transformação da casualidade em poesia.

Site oficial do Festival : www.5minutos.ba.gov.br

quarta-feira, novembro 24, 2004

"Cascalho"


"Cascalho"

Dados: ficção, cor, 35mm, 104min, DF/BA, 2004

Direção:Tuna Espinheira

Sinopse:Homens rudes, analfabetos, movidos pela ambição, pelo espírito de aventura, pelos sonhos febris e por uma loquaz ingenuidade. Com muitíssimo esforço e alguma sorte, amealhavam pequenas fortunas que rapidamente dilapidavam em prazeres fugazes e gastos generosamente descontrolados. Filmado nas mais belas paisagens e sítios históricos da Chapada Diamantina.

Elenco: Othon Bastos, Maria Rosa Espinheira, Harildo Deda, Jorge Coutinho, Irving São Paulo e Lúcio Tranchesi.

Ficha Técnica: produção executiva: Marcio Curi, roteiro: Tuna Espinheira, fotografia: Luis Abramo, montagem: Flávia Celestino, Flávio Zettel e Tuna Espinheira, som: Toninho Muricy, direção de arte: Moacyr Gramacho, cenografia: Raquel Rocha, figurino: Moacyr Gramacho e Maurício Martins, trilha sonora: Aderbal Duarte, música original: Waltinho Queiroz. produtora: Asa Cinema e Vídeo

Filmografia: Luís Gonzaga, o Rei do Baião (1969/70)(Direção, roteiro e produção); Major Cosme de Farias – O último Deus da mitologia baiana (1972)(Direção, roteiro e produção) - premiado pela Associação Baiana de imprensa; Atrás do Trio elétrico só não vai quem já morreu (1973)(Produção, roteiro e direção; Comunidade do Maciel - Há uma gota de sangue em cada poema (1974)(Direção, roteiro, montagem, produção)- convidado hors concours para o Festival Internacional de Nyon, na Suíça, e selecionado para o XX Festival Internacional de Oberhausen, na Alemanha. Além do prêmio de melhor filme na I Mostra do Filme Documentário em Curitiba; Cajaíba...lição de coisas... O Fazendeiro do Ar (1976)( Direção, roteiro, montagem e produção)- Prêmio de melhor roteiro no IX Festival de Brasília do cinema Brasileiro e de melhor proposta de criatividade na IV Jornada Brasileira de Curta Metragem; Bahia de todos os Exus (1977)(Direção, roteiro e produção)- Prêmio Especial do Júri, no X Festival de Cinema de Brasília; Samba não se aprende no colégio (1978)(Direção, roteiro e produção); Dr Heráclito Sobral Pinto, profissão Advogado (1979)(Direção, roteiro e co-produção com Nelson Pereira dos Santos)- Grande prêmio do Júri do VI Festival Brasileiro de Curta-metragem, outorgado pelo Jornal do Brasil; Maculelê de Santo Amaro (1980)(Direção e roteiro); O curso do documentário brasileiro desde Aruanda (1980)(Direção e roteiro); O cisne também morre (1982)(Direção, roteiro e argumento); A Mulher Marginalizada (1989)(Direção, roteiro e produção)-Premiado por melhor direção e melhor filme no VI Rio Cine Festival. Ganhador do Troféu concedido pelo Ofício Católico Internacional de Cinema –OCIC; Viva o 2 de julho (1998); O Bruxo Bel Borba (1999); Cascalho (2004) (Direção e roteiro).

Bahia na Película!


Festival de Brasilia

Começou ontem o 37º Festival de Brasilia do Cinema Brasileiro. Para a Bahia a expectativa é grande, “Cascalho”, o primeiro longa do diretor baiano Tuna Espinheira estréia no Festival disputando o Candango de Ouro de melhor filme.
Depois de um intervalo de mais de 20 anos desde O Boi Aruá de Chico Liberato, nenhum outro longa metragem de ficção havia sido finalizado com recursos próprios do estado. O Boi Aruá entraria para a história como o primeiro desenho animado de longa-metragem do país e o último filme realizado pelo estado antes de um longo período de ostracismo.
“Cascalho” adaptação livre do romance de Herberto Salles, publicado em 1945, quando a economia da Chapada Diamantina girava em torno do diamante, foi o longa-metragem vencedor do Prêmio Fernando Coni Campos, na categoria filme de longa-metragem de ficção, patrocinado pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Cultura e Turismo da Bahia.
Outro filme muito esperado é “Eu me lembro” de Edgard Navarro, que ganhou o edital anterior, mas ainda não foi finalizado em película.

Filhos da Terra*

Redenção (1959), de Roberto Pires
A grande feira (1961), de Roberto Pires
Barravento (1962), de Glauber Rocha
Tocaia no asfalto (1962), de Roberto Pires
Sol sobre a lama (1963), de Alex Viany
O caipora (1963), de Oscar Santana
O grito da terra (1964), de Olney São Paulo
Meteorango Kid, o herói intergalático (69), de André Luiz Oliveira
Caveira, my friend (1969/70), de Álvaro Guimarães
Bahia por exemplo (1970), de Rex Schindler
Akpalô (1971/72), de José Frazão e Deolindo Checucci
O anjo negro (1972), de José Umberto
O pistoleiro (1975), de Oscar Santana
Abrigo nuclear (1978), de Roberto Pires
O mágico e o delegado (1983), de Fernando Coni Campos
O Boi Aruá (1983), de Chico Liberato
Cascalho(2004), de Tuna Espinheira
* São considerados filmes baianos aqueles que tiveram a maior parte de seus recursos captados no estado.

Obs. “Tres histórias da Bahia”(2001), Sérgio Machado, Edyala Yglesias, e José Araripe Jr. , não está na lista acima por ser uma junção de três curtas distintos, mas teve seu papel em chamar atenção para a cinematografia baiana.


sábado, novembro 20, 2004

Cinema de Poesia

"Tudo leva a concluir que

a linguagem do cinema é

fundamentalmente uma linguagem

de poesia. Mas, historicamente,

concretamente, depois

de tentativas logo suspensas

na época em que o cinema

apenas começava,

a tradição cinematográfica

que se formou foi a de

uma linguagem de prosa."


Pier Paolo Pasolini, Cinema de Poesia, 1965


Saindo da estante:


"Festen" – Solução underground para um filme comercial?

Não há como falar em "Festen"(Festa de Família) de Thomas Vinterberg sem associá-lo ao Dogma 95. Mas, considero que mesmo se relacionando com um movimento, ele tem razões para ser avaliado separadamente. Primeiro, por ser a experiência de todo o processo(É o Dogma 1), já se distingue dos demais. É o "abre alas" do movimento, é como se todos os outros o seguissem. Mesmo que nós saibamos que eles foram realizados através de conceitos pré-estabelecidos. Segundo, porque esse filme possui uma busca de expressão que o distingue dos outros de sua época, isso pode ser claramente explicitado pela reação que causou onde foi exibido.

Após essas considerações começarei a tratar de elementos nesse filme que nos remetem ao Cinema Underground. Tentarei não só destacar elementos que o aproximam, como também os que o distanciam dessa estética.

Gostaria de ressaltar que algumas imposições do Dogma 95 já faz esse filme ir para outro caminho. Como o mesmo já está em uma "prateleira", fica difícil analisá-lo friamente, mas foi a possibilidade de alguma análise que me chamou atenção.

Na busca de elementos Undergrounds nesse filme, já identificamos logo na abertura uma característica marcante no estilo, demonstrando informalidade. O filme não possui elementos artificiais, como créditos sobrepostos ou fusões. Somente aparece o nome da produtora e o nome do filme feitos a mão num elemento submerso em água, tudo elaborado mecanicamente, a imagem inicial do filme surge como uma raio, sem concessões ou elipses cinematográficas.

Continuando o filme, percebemos que a narrativa e os acontecimentos vão se desenvolvendo de maneira linear, característica contrária ao underground, mas vai surgindo uma intensidade e uma complexidade emocional, que pode ser considerada. Além do ritmo da montagem, que mesmo linear, é rápida e furiosa, clara característica Underground.

O caráter experimental também é perceptível logo no início. O uso de cameras de video amador, diretamente na mão, o não uso de iluminação artificial ou lentes especiais. E o mais forte ou determinante, a experimentação da "mise en cene", nesse filme o ator não representa para a camera, ela o segue, captando na maioria das vezes o inesperado, como afirma o diretor no making-off do filme. Essa característica pode não ser inovadora mas de qualquer forma é uma experimentação.

Na avaliação técnica, o filme se encaixa perfeitamente nos preceitos Undergrounds , todo captado em vídeo amador e somente após editado, foi transferido para película. Demonstrando inovação e domínio da técnica. O que já nos leva a outros elementos, como o baixo orçamento e a independência quanto aos grandes estúdios. Nesse filme nem os figurinos foram construídos, os próprios atores se encarregavam de trazer suas roupas e fazer a maquiagem . O filme possui poucas locações, basicamente duas, um hotel serviu de cenário para quase todo o filme, barateando consideravelmente a produção.

As cenas de violência, sexo, e nudez podem remeter ao underground, como também o rumo que tomam os acontecimentos, beirando o caos total ou a loucura. A crítica aos valores familiares e ao "Status quo" também pode ser considerada.

Para finalizar, gostaria de tratar sobre a duração e objetivo do filme. Ele possui 105 minutos e foi finalizado em 35mm, distribuído para o circuito comercial, totalmente diferente de filmes undergrounds. Esses elementos são os que mais demonstram que todo esse caráter experimental serviu para gerar uma "Cineplástica" diferenciada dos demais filmes comerciais, e chamar a atenção para o movimento que estava surgindo.

Além do talento, nada como uma boa jogada de marketing.

(Festen, Dinamarca, 1995) Direção: Thomas Vinterberg. Com Ulrich Thomse, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen. 105 min. Cult Filmes

A poesia do cinema

"... porque o isola,

graças ao silêncio e a escuridão,

do que podemos chamar de seu

habitat psíquico, o cinema

é capaz de pôr o espectador

em êxtase melhor do que

qualquer outra

expressão humana.

... É o melhor instrumento para

exprimir o mundo dos sonhos,

das emoções, do instinto.

Em todos os filmes,

bons ou maus,

além e apesar das intenções

dos realizadores,

a poesia cinematográfica

luta para vir a tona

e se manifestar."


Luis Buñel, A poesia do cinema, 1955

BIG FISH

Quem diria que o primeiro post de um estudante de cinema seria sobre uma superprodução? Já sinto Godard se remoendo onde estiver ou Jean Rouch revirando no caixão, discursando sobre seu "Cinéma Vérité", mas "cinema, além de imagens em movimento, é expressão, arte, documento, indústria... "
Considerações feitas, então vamos lá...


BIG FISH
Peixe grande e suas histórias maravilhosas

Qual o caminho para a felicidade? Existe alguma fórmula? Essas perguntas não são feitas diretamente, mas estão nas entrelinhas do novo rebento de Tim Burton, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas. Com qualidade esmerada para criar universos paralelos e mundos imaginários, o diretor conseguiu fazer um filme leve e ao mesmo tempo interessante.
Quem nunca gostou de ouvir histórias fantásticas, sobre criaturas irreais e acontecimentos extraordinários quando crianças? Principalmente se fossem contadas por nossos pais ao pé da cama quando nos colocavam para dormir. E melhor ainda, se as histórias fossem sobre eles próprios, tornando mais verossímeis os acontecimentos contados. Edgard Allan Poe, um mestre nesse assunto, deixou uma obra extensa para todos que gostam de se entregar a "mundos maravilhosos", Federico Fellini penetrou profundamente nesse ambiente, realizando filmes onde a fantasia imperava. Burton aproveitou o livro do Daniel Wallace: Big Fish, A Story of Mythic Proportions para criar sua nova fábula.
Histórias fantásticas podem ser encaradas como metáforas de situações reais que vivemos . Esse filme pode ser visto dessa forma, uma metáfora de como podemos viver de uma forma mais leve e agradável. Pode parecer piegas ou "romântico positivista", mas no filme funciona. Edward Bloom, o personagem principal, é vivido por Ewan McGregor, quando jovem, e por Albert Finney, quando mais velho. Enquanto o último conta as histórias, vemos o primeiro executando-as. O interessante é que o filho do contador de histórias, vivido por Billy Crudup, depois que se torna adulto e escritor, passa a ignorar todas as fábulas que seu pai te contou em busca da "verdade" de cada conto. "Quem é Edward Bloom" , essa pergunta é a tônica do filme, e se transforma num monstro para seu filho, Will, que não admite que o pai seja um ser fantástico, como é representado em suas historias. Uma sugestão modesta do conflito freudiano do pai pródigo.
Nesse filme, diferente dos anteriores do mesmo diretor, a fantasia é demonstrada como possibilidade do real. Ela está dentro de nós, sabendo utilizá-la, podemos ser mais felizes. O filme somente peca quando tenta "fechar a obra", colocando imagens surreais onde não lhe cabem significação, tentando explicar os acontecimentos extraordinários, vividos somente na mente de quem conta.

Obs: Parábola do pai pródigo de amor para com o filho pródigo de pecado:
"Levanta-te, vem depressa à Igreja: aqui está o Pai, aqui está o Filho, aqui está o Espírito Santo. Ele vem ao teu encontro, para que te acolha enquanto estás a refletir contigo mesmo no segredo do coração. E quando ainda estás longe, vê-te e põe-se a correr. Ele vê no teu coração, acorre para que ninguém te detenha, e além disso abraça-te... Lança-se ao regaço de quem estava por terra, para o reerguer, e para fazer com que aquele que estava oprimido pelo peso dos pecados e inclinado para as coisas terrenas, dirija de novo o olhar para o céu, onde devia procurar o próprio Criador. Cristo lança-se ao teu regaço, porque quer tirar dos teus ombros o jugo da escravidão e impor sobre eles um jugo suave" (In Lucam VII, 229-230).

Quem

Cesar Fernando de Oliveira

Mais um astronauta no Chipre

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Cinema e palavras vagando na rede...

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