terça-feira, agosto 29, 2006

Mudança de endereço

Só agora terminei de arrumar as malas e me mudei para o novo blog.
O Tomada1 - network flaneur surgiu há quase dois anos, quando eu ainda estava no curso de cinema. Mudando de endereço, o nome ganha mais significados pra mim, funcionando como etapa vencida. A primeira 'tomada' é o início na realização de todo filme e o Tomada1 foi o início com o cinema em palavras.
Já havia pensado em mudar seu nome, para algo mais sutil, mantendo a relação com cinema e palavras, agora surgiu a possibilidade em uma nova plataforma.
Peço para aqueles que me adicionaram em seus links que mudem o nome e atualizem o endereço:

Novo endereço: O espelho - http://oespelho.wordpress.com

sexta-feira, agosto 25, 2006

2001:Uma Odisséia no Espaço




Análise - 2001:UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Stanley Kubrick, 2001:A Space Odyssey. EUA, 1968

Poesia visual

Imaginemos um filme de Ficção Científica: Computadores inteligentes, naves espaciais, andróides, seres irreais, futuro! Mas não é assim que começa um dos melhores filmes sobre esse tema dos últimos tempos. 2001: Uma Odisséia no Espaço, criação do diretor e co-roteirista Stanley Kubrick com o escritor e co-roteirista Arthur C.Clark, começa com imagens altamente reflexivas. São imagens do passado, e de um passado bem distante, aproximadamente quatro milhões de anos atrás. “Será que eu entrei na sala errada?”, essa deve ter sido alguma das perguntas que os espectadores fizeram ao começar a assistir esse filme pela primeira vez, já que durante aproximadamente vinte minutos assistiram a pré-história, filmada com uma realidade assombrosa, a tal ponto de especularem que os seres usados no início do filme seriam macacos reais (circula na Internet que isso impossibilitou o filme de ganhar o Oscar de melhor maquiagem na época). Um dos mitos dessa obra-prima.

O primeiro momento do filme é de total estranhamento, são quase três minutos (2’56’’) de pura banda sonora sem nenhuma imagem. A tela escura e os sons abstratos e sombrios da música chamam a atenção dos espectadores, exacerbando a curiosidade, além de criar uma ambiência que tem a ver com o que é mostrado a seguir: A imagem do espaço, demonstrando a Terra, a lua crescente e o sol, ao som de “Assim falou Zarathustra” de Richard Strauss, é um momento especial, como a música, feita em referência a obra de Niestche, denotando a previsão de um processo evolutivo. A música tem um papel importantíssimo nesse filme, ela não é usada somente como acompanhamento das cenas, quase toda clássica, ela exerce significados que complementam as imagens. A valsa de Johan Strauss, “Danúbio Azul”, é explorada ao extremo, e casa perfeitamente com as imagens deslizantes e circulares do espaço, os objetos estão em constante movimento(em órbita) e a música reforça isso, seu caráter crescente evoca expansão e evolução. “O Ballet” de Khatchaturian faz as naves espaciais dançarem. Além das músicas de Giorgi Ligeti que completam o significado da viagem através do “portal estelar” (“Lux Aeterna”), com seus sons psicodélicos e da chegada no quarto em estilo vitoriano ao final do filme(“Réquiem”), com ruídos de gotas d’água e vozes irreconhecíveis. Transferindo-nos completamente para aqueles ambientes, estranhos e insólitos.

Após os créditos iniciais que aparecem na tela na cadência da música, vemos uma imagem do nascer de um dia, com sons de grilos e pássaros, assistimos “A aurora do homem”. São imagens de um deserto com seres pré-históricos dividindo o espaço físico, é na verdade um retorno ao nosso passado, aos nossos ancestrais . Percebe-se nas primeiras imagens a guerra entre as variadas espécies, macacos com tigres e antas. Há elipses temporais criadas através de “fades” para significar a passagem de tempo. Logo após acompanhamos a guerra entre seres da mesma espécie, os macacos, principalmente por localidades e água. Um dos macacos atravessa uma poça para demarcar seu domínio sobre a mesma. Importante frisar que nessas cenas nota-se um cuidado com a fotografia, para que sempre houvesse um facho de luz em direção da água, demonstrando sua riqueza e seu valor, além de direcionar nosso olhar. O tempo passa, os macacos começam a brigar entre si por comida e por espaço nas cavernas, onde se protegiam à noite. Sempre os que não conseguiam espaço ficavam grunhindo fora das cavernas, enquanto os de dentro respondiam com grunhidos mais altos. É mostrados um pôr do sol e a lua crescente, como a que surge no alinhamento no início do filme, logo após vemos um macaco acordando e se assustando com o que vê, que está fora do quadro, começa a grunhir e propositadamente acorda os outros, só depois disso é demonstrado aos espectadores o monólito bem próximo a eles, iluminado com um facho de luz. Uma trilha sonora sempre acompanha a aparição do monólito durante todo o filme, é um som crescente, um conjunto de ruídos, vozes, com sons agudos. Os macacos estranham aquele objeto e se aproximam para verificar, tocando, cheirando, percebem que é uma superfície lisa com quinas, diferente das rochas grosseiras que estão acostumados a escalar. É inserido um plano, mostrando a Lua e o sol alinhados do ponto de vista da terra, mais precisamente do monólito, reforçando a idéia da temporalidade dos acontecimentos, o monólito surge no momento de lua crescente, aquele descrito através das imagens no início do filme, significando período de evolução.

Após essa “aparição”, passam alguns dias e um grupo de macacos acha uma ossada de anta, a maioria não se interessa, mas um dos macacos permanece olhando para os ossos, ele senta-se, é mostrado um plano aproximado, vemos somente os ossos e um macaco em contra-plongée (ressaltando sua posição diante da ossada, além de significar crescimento intelectual), ele os olha como se tentasse decifrar um enigma, faz um movimento com a cabeça como se estivesse pensando, racionalizando algo. Nesse instante é introduzido novamente o plano do alinhamento visto do monólito e é inserida a música de R.Strauss, “Assim falou Zarathustra”, reforçando ainda mais a questão da temporalidade e da evolução. O macaco pega um osso entre vários, gira como um semicírculo(lua crescente) e bate devagar contra os demais, ele percebe a natureza do osso, é mais resistente que os demais, começa a quebrar os outros ossos, para segurar o osso com as duas mãos pela primeira vez sustenta o corpo somente nas duas patas traseiras, quebra o crânio da ossada, há um corte para uma anta caindo morta. Destroça o crânio, vemos outra anta caindo, demonstrando a possibilidade de matar quantas quisesse. A face do macaco mostra seu momento de euforia, como num grito de “eureka” ele lança o osso pra cima. Após isso vemos uma seqüência de planos significativos, um macaco subindo uma pequena ladeira como se tentasse se esconder, segurando um osso e comendo um pedaço de carne, depois já vemos outro plano, onde vários macacos comem carne e o que estava com o osso numa posição superior em cima de uma rocha, representando liderança. Depois um último corte, a cena onde vemos macacos bem pequenos sentados e brincando com ossos, denotando a passagem de conhecimento para as novas gerações. Algo aconteceu: o conhecimento. E foi inserido no cotidiano desses seres com momento demarcado: após a aparição do monólito, com a lua crescente.

Uma imagem mostra mais um pôr do sol, que se olhado com atenção demonstra que a lua, antes vista sempre crescente, agora está cheia, nova, denotando os momentos de mudança que virão a seguir. Os macacos que foram expulsos voltam de encontro à poça d’água do início do filme. Todos com ossos nas mãos, nota-se que somente esse grupo sustenta o corpo nos dois pés, o outro grupo não, agora o raio de luz que ficava sob a poça está do lado dos que tem os ossos nas mãos, demonstrando o poder da “arma” descoberta, o osso, o conhecimento. Não se contentando em obter comida eles também querem água e espaço físico, assim matam um dos outros macacos do grupo oposto com os ossos. Na euforia da vitória um osso é jogado pra cima, que agora gira subindo, formando um círculo(lua nova). O osso sobe no sentido anti- horário e desce no sentido horário, um índice para o futuro que virá. Acontece aqui o maior corte temporal da história do cinema, o osso que caía, é cortada para uma nave orbitando a terra(num formato parecido) ao som da valsa de J.Strauss.

A montagem do filme tem características peculiares. Não há fusões, o corte seco é o mais utilizado, contrapondo planos às vezes não contínuos, usado para gerar significados e não simplesmente para contar linearmente a história. Quase sem diálogos, o filme é construído a partir da justaposição das imagens, alguns planos são longos e lentos, principalmente quando são mostradas imagens do espaço. É uma maneira de construir um clima para essas imagens, já que, antes desse ainda não havia nenhum filme que retratasse com fidelidade como se portava os objetos no espaço, a relação da não gravidade e do eterno movimento foi explorada com precisão. Por tratar de elementos que não existiam na época é preciso de várias cenas descritivas, em alguns momentos parecemos assistir um documentário, como no processo do reconhecimento de voz ou nos longos planos demonstrando o interior das naves espaciais. Quando ocorrem diálogos, como os que acontecem na Estação, são cheios de significados, como quando Heywood encontra outras pessoas conversando, eles falam em Russo( além de seus nomes: Dra. Stretyneva, Dr. Andrei Smyslov), fica intrínseco aí uma discussão sobre a corrida espacial entre Norte-americanos e Russos que acontecia na época do filme. Mas quem teria chegado primeiro? No diálogo posterior, isso é demonstrado, já que somente Heywood detém informações sobre o que acontece na Lua, explicitando quem está no comando. Interessante também é a mensagem intertextual que existe numa sala por trás das pessoas que conversam na estação, uma palavra escrita em letras maiúsculas: HILTON, que é uma referência a tradicional rede de hotéis norte-americana, que possui sedes em vários locais do mundo. Há também uma cena interessante, quando a nave de Heywood está há caminho da Lua, alguns tripulantes assistem a imagens de lutas de sumô em telas widescreen, como referência a disputa da chegada na mesma. Além da clássica referência do supercomputador HAL, suas três letras precedem as letras de IBM, que é uma das maiores empresas de informática dos EUA.

É interessante notar como a fotografia dialoga com a montagem, como nas composições utilizadas nas cenas do espaço, a maioria dos objetos tem aspectos circulares e giram. Na cena que Heywood chega na estação, o elevador é circular, o movimento que a câmera faz é num “travelling” circular e a terra ao fundo nas janelas (tudo gira). O uso das cores também é marcante, o azul e o vermelho, são as mais representativas. O vermelho sempre está associado ao perigo ou ao retorno ao passado, como às imagens avermelhadas do início do filme, nas paisagens desérticas ou ao “olho” de HAL, que se volta contra os seres humanos. O azul está relacionando com o futuro e esperança, como na vista da terra do espaço ou na “Criança estrela” do final do filme além de alguns botões de dentro da nave. Os “flares” e os reflexos são muito bem utilizados, o primeiro é marcante nas cenas em que aparecem o monólito, dando um tom mágico. E o segundo, na parte frontal do capacete de David, sob seu rosto. Principalmente quando reflete HAL, denotando um significado de unicidade entre os dois, existe algo de David em HAL e vice-versa .

A fotografia nos remete aos efeitos especiais, concebidos e dirigidos por Kubrick. O fotógrafo que existia antes de se tornar diretor de cinema aflorou nesse filme, que abusou das perspectivas para criar profundidade, iluminação impecável e angulações indescritíveis. Os efeitos especiais foi o item que o fez ganhar o único Oscar dessa obra. O uso de cenários gigantescos e em tamanhos reais ou com possibilidades de movimentos antes nunca executados geraram imagens surpreendentes. As experimentações visuais, como a viagem através do “Portal estelar” ou as imagens de Júpiter, com cores vibrantes, são marcas indeléveis nesse filme. Considerando que na época não existiam computadores para criar elementos virtuais, o filme demonstra profundo engajamento em técnicas de superposição e de trabalho com miniaturas e maquetes.

O filme tem uma característica peculiar, seus protagonistas somente aparecem depois dos primeiros cinqüenta minutos de filme, logo após a segunda aparição do monólito na Lua, quando esse envia um sinal para Júpiter. Há sempre uma questão de aparição x evolução, o monólito está na lua sinalizando um acontecimento do conhecimento, intelectual, é como se representasse nossa evolução. Cada vez querendo ir mais longe.

David Bowman(Keir Dulela) e HAL (voz de Douglas Rain ) são os personagens principais. As suas características são quase invertidas propositadamente. Bowman é tranqüilo, seguro e prático, já HAL, que é a máquina, é curioso, orgulhoso, mentiroso e ambicioso. Ele que foi criado pelo homem, incorpora seus defeitos e volta-se contra o próprio homem, como o macaco no início do filme que não admitiu ter somente a comida, e foi de encontro aos seus semelhantes, matando-os para tomar-lhes água e espaço.
Bowman e HAL surgem na Viagem a Júpiter, a bordo da nave Discovery, que possui uma semelhança a um espermatozóide, semelhança que nos remete a imagem final do filme, a gestação da “Criança estrela”. A aparição dessa nave e dos tripulantes representam um segundo momento do filme, nota-se isso pois até a trilha sonora é distinta. A valsa de J. Strauss dá lugar ao “Ballet” de Khatchaturian. Passa-se a ouvir ruídos constantes de ventoinhas, como se fosse o coração de HAL, além da respiração de Bowman e o silêncio, usado depois da morte do colega de Bowman e depois do assassinato dos outros tripulantes que estavam hibernando. Depois das mortes as imagens do espaço, fora da Discovery são sempre em silêncio, representado um luto às ações de HAL.

HAL é tudo aquilo que Bowman não quer mais ser, e pode matá-lo a qualquer momento. Assim o primeiro é eliminado, numa das cenas mais marcantes do filme, enquanto suas placas do centro lógico de memória são retiradas, ele diz “minha consciência está se esvaindo”, “eu posso sentir”, e começa a cantar uma música que seu construtor o havia ensinado, que possui frases do tipo, “estou me sentido meio louco…” ressaltando ainda mais a humanização de HAL. Após isso Bowman é “premiado” com o máximo da evolução, transforma-se em estrela. Isso é uma referência ao conto “Sentinela” de Arhur C. Clarke, que a obra é baseada. No conto, Clarke diz que a quantidade de estrelas no céu é equivalente à quantidade de seres humanos que nasceram e morreram, então é possível que exista uma estrela para cada ser que existiu. Assim, várias pessoas podem ter se tornado estrelas em seu processo evolutivo, e isso será demonstrado em algum momento em sua vida, no filme foi o momento de Bowman.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Festival Internacional de Curta metragens de São Paulo

Está começando hoje o 17º Festival Internacional de Curta metragens de São Paulo, um dos mais importantes do país. A Bahia tem três representantes:

Ilha do Rato, de Bernard Attal, Joselito Crispim
Brasil(BA), 2005 Fic - 18' - Cor/P&B Super 16 >35mm

Bitchu é um menino das palafitas que vende sonhos. Mas seu sonho é encontrar um jeito de navegar até essa Ilha que entrou em sua cabeça na noite passada.

* Prêmio Quanta, Jornada de Cinema, Salvador (BA), Brasil, 2005 / Festival Silhouette, Paris, França, 2005 / Garden State Film Festival, Atlantic City, EUA, 2006 / Ann Arbor International Film Festival, Ann Arbor, EUA, 2006 / Chicago Latino Film Festival, Chicago, EUA, 2006 / Moondance International Film Festival, Los Angeles, EUA, 2006

Filmografia do diretor:Mr Paine, 2003 / 29 Polegadas, 2004 / Ilha do Rato, 2005 / A fabricação dum sonho, 2005 / Majesté de ma mère, 2005

Roteiro: Joselito Crispim, Bernard Attal
Fotografia: Monica Hernandez
Direção de arte: Anne Attal
Montagem: Bernard Attal
Música original: Oswaldo de Souza
Elenco: Vinicius da Silva, Jackson Aragão, Edna Nascimento

Bernard Attal - Brasilmailto:Brasilbattal1@mac.com - Rua Direita de Santo Antonio, 12, CEP: 40301-280, Salvador, BrasilTel: (55) 71 3243 8583 ________________________________________________________


Na terra do sol, de Lula Oliveira
Brasil(BA), 2005 Fic - 12' - Cor 35mm > 35mm

Inspirado em trecho da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, trata do dilema enfrentado pelos quatro últimos sobreviventes do povoado de Canudos.

* Mostra de Cinema de Tiradentes, Tiradentes (MG), Brasil, 2006

Filmografia do diretor: Morrão!, 1996 / A fronteira do invisível, 1997 / O tocador de ilusões, 1998 / Perto do fogo, 1998 / Meninos ambulantes, 1999 / Horizonte vertical, 2001

Roteiro: Lula Oliveira
Fotografia: Pedro Semanovischi
Direção de arte: Henrique Dantas
Montagem: Bau Carvalho
Música original: Marcos Vaz
Elenco: Agnaldo Lopes, Bertho Filho, Carlos Petrovich, Doddy Só, Psit Mota e Rose Lima

Lula Oliveira - DocDoma Filmes - lula@docdoma.com.br - R. Almeida Garret, 25/sala 105, Espaço Cultural Oikos, CEP: 41815-320, Salvador, BrasilTel: (55) 71 3354 6123 / (55) 71 3362 3381 / (55) 71 88978059
_________________________________________________________


O anjo daltônico, de Fábio Rocha
Brasil(BA), 2005 Fic - 20' - Cor 35mm, Beta SP, Digital BetaCam, DV, DV Cam, HD > 35mm

Vamos da desnordestinização à renordestinização num fluxo de imagens e sons que fazem do local do couro um delírio absoluto...

* Festival de Gramado, Gramado (RS), Brasil, 2006

Filmografia do diretor:Um só ou vários nomes, 1998 / A cemiterada, 1999 / Mania de verão, 2001 / A sinfonia dos corpos, 2002 / Queimandofilme, 2002 / Equilíbrios provisórios, 2002 / O anjo daltônico, 2005 / Os corpos sagrados de Santo Antônio, 2006 / Da lembrança ao sonho, 2006

Roteiro: FábioRocha
Fotografia: Antonio Luis Mendes
Direção de arte: Henrique Dantas
Montagem: Marcos Povoas
Música original: Jorge Solovera
Elenco: Bertho Filho

Fábio Rocha - rochagomes@hotmail.com - Rua Clião Arouca 57-a Ed. Don Emílio ap. 3, CEP: 40290-160, Salvador, BrasilTel: (55) 71 3491 0129 / (55) 71 8833 2251

terça-feira, agosto 22, 2006

Rocha eterno

Glauber Rocha
14/03/1938
22/08/1981
Hoje completa-se 25 anos da morte de Glauber Rocha. O Memorial da América Latina faz uma homenagem com mostra de seus filmes e Scorsese relembra que Glauber é uma de suas referências cinematográficas.
Alguns links referentes a data:
Filmografia

1980 - A idade da terra ;
1977 - Jorjamado no cinema ;
1977 - Di Glauber ;
1975 - Claro ;
1975 - As armas e o povo ;
1974 - História do Brasil ;
1972 - Câncer ;
1970 - Cabeças cortadas ;
1970 - O leão de sete cabeças ;
1969 - O Dragão da maldade contra o santo guerreiro ;
1967 - Terra em transe ;
1966 - Maranhão 66 - Documentário que registra a posse de José Sarney como governador do Maranhão. Foi financiado pelo próprio evento que marcou o início da domínio político da família Sarney no Estado, que perdura até hoje. Em contraponto ao discurso de posse e da multidão em celebração, o filme mostra a miséria da população a ser governada. Algumas das imagens documentais da festa foram usadas na montagem de Terra em transe ;
1964 - Deus e o diabo na terra do sol ;
1961-63 - Barravento ;
1959 - Cruz na Praça(PB - Não finalizado) ;
1959 - O pátio (PB, 11'). Glauber estréia com um curta-metragem hermético e experimental, vertentes que logo em seguida ele renegará em favor de um cinema político, mas que reaparecerão mais tarde em filmes como Câncer e A idade da terra .

sábado, agosto 19, 2006

Gramado Cine e Vídeo

Parabéns a turma da Soterópolis pelos prêmios em Gramado!

::GRAMADO CINE E VÍDEO::

CATEGORIA INDEPENDENTE

Melhor Gênero Ficção: REVERSOS (BA), de Daniel Dourado, Gabriel Teixeira e Paula Príncipe;
Melhor Gênero Videoclipe/Musical: NON ENHANCED HEAD CT (BA), de Renato C. Gaiarsa e Rodrigo Luna.


CATEGORIA TV UNIVERSITÁRIA

Prêmio Destaque do Júri: KIZOMBA (BA), de Dayane Sena (TV UNIFACS).


CATEGORIA UNV. BRASILEIRO

Gênero Videoclipe: SETE SETE, de Alexandre Guena (FTC-BA);
Gênero Reportagem: BALLET DU SENEGAL, direção coletiva (FTC-BA).

sexta-feira, agosto 18, 2006

CACHÉ



Michael Haneke, Caché.
França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005

Imagem e palavras

Ao sair da sessão de Caché eu afirmava, “esse filme aponta para um Cinema do futuro”, algumas pessoas me olharam como se não entendessem o que eu havia acabado de dizer ou não acreditassem na afirmação, já que muitas saiam da sala com rostos desgostosos. Com certeza não é um filme que agradará o público em geral, há uma exigência emocional e intelectual que está longe da passividade provocada pelo domínio do cinema narrativo clássico, além da proposta criada pelo diretor onde o espectador precisa completar as lacunas deixadas abertas no filme. Assim, aqui vai minha análise.

Caché é um filme sobre palavras, sobre palavras que não são ditas. E sua maior capacidade está em usar a imagem da melhor maneira possível para mostrar isso. Stanley Kubrick afirmava que todos os filmes já haviam sido feitos, que a função do cineasta seria tentar buscar algo novo, ou pelo menos fazer diferente. Haneke parece ter ido fundo nessa proposta, e faz um filme onde imagens tem grande plasticidade e caráter de subconsciente, e palavras que dizem mais do que elas significam. O diretor está experimentando e jogando com o Cinema, o maior exemplo disso é a capacidade de nos manipular através da cena que está sendo mostrada e o diálogo que acontece junto com a imagem.

Ao iniciar o filme já temos um diferencial, há um longuíssimo plano fixo da fachada de uma casa e os créditos vão aparecendo sobrepostos nessa imagem, sendo que um após o outro como que enchendo a página de um livro. Após todos os créditos impressos eles se apagam e a imagem permanece, e permanece... Durando mais que o “necessário”, e só depois de um período percebemos que é uma gravação dentro do filme . Há a extrapolação do caráter descritivo da imagem, e o fato de durar mais, gera um novo conceito. Imagens que nos acompanham, remetendo a lembranças.

A história do filme é a seguinte, um casal passa a ser atormentado com fitas possuindo imagens de sua casa deixadas na porta, embrulhada em desenhos estranhos. Cada vez essas imagens vão se tornando mais intimas. Georges Laurent é um apresentador de programa de TV e sua mulher Anne Laurent uma escritora, moram com seu filho adolescente Pierrot.

Ao utilizar do fato de imagens gravadas em video-tape fazerem parte da história, o diretor pôde explora-las ao seu prazer, inserindo quando quisesse na narrativa sem nos comunicar que ali tratava-se de uma cena gravada pelo observador misterioso, somente nos explicando depois de um período através dos diálogos. E pra reforçar isso, ele utiliza da plasticidade própria da imagem pra se auto denunciar, quando mostra o programa de TV que Georges trabalha ou telejornais preenchendo toda a tela mas com qualidade técnica inferior. Dessa forma o espectador é arrebatado pelo filme, como que puxado pelo diretor a embarcar em sua viagem, muitas vezes sendo pego de surpresas.

Após esse arroubo técnico-criativo o filme passa a demonstrar que seu tema é muito mais amplo do que parecia, e o thriller que a sinopse indicava dá lugar para um forte caráter psicológico. O foco que ficaria na descoberta do observador que envia as fitas passa para a dissecação das personalidades dos personagens vigiados, já que cada vez mais penetramos no íntimo deles e percebemos como a falta de comunicação pode impedir a felicidade, a paz e até o amor.

No primeiro diálogo do filme indica-se um fato , “como ele estava tão perto e eu não percebia”, Georges conversa com Anne sobre a gravação dele chegando em casa enviada pelo observador. Essa frase serve também para demonstrar o impasse que acontece com o casal devido a dificuldade de se ter uma conversa franca, George tem dificuldade em contar seus problemas, de falar sobre seus medos e angustias. E isso gera uma desconfiança tremenda para Anne, que não o entende, já que sua personalidade é o oposto disso, é mais aberta e prática. Enquanto ele esconde, ela mostra. A chegada das fitas resulta num desencadeamento de incertezas, já que em alguns momentos enquanto Georges mente para Anne a imagem gravada o desmente.

"A dor compartilhada é mais fácil de carregar"

Caché aponta para um cinema do futuro porque traz novidades para o universo cinematográfico. Experimentações a respeito da imagem e seus conceitos, maior interatividade entre o espectador e a obra, além de sutilezas tão distantes hoje em dia do dito “cinemão”. Assim, Haneke constrói seu filme através desses detalhes, metáforas, e nos faz pensar, cobra-nos ajuda para desvendar os mistérios do ser humano. Um exemplo disso é o estúdio do programa de Georges e sua casa, ambos possuem uma sala onde a parede é formada por vários livros enfileirados, isso entra em choque com sua personalidade, ele é um apresentador de TV, gera e vive arrodeado de informação, mas não consegue comunicar claramente seus sentimentos com sua esposa ou seu filho.

A incomunicabilidade surge na conversa familiar e atinge seu ponto máximo na intransigência de Georges com os Argelinos. Majid é o passado que Georges não quer relembrar mas que está sempre presente para ele através de sonhos, o oposto também acontece com Majid, só que através da TV. Existe uma relação muito forte entre os dois sem precisar do encontro físico, que se dá 50 anos depois de uma separação traumática. É pra onde apontam as imagens que duram, a lembrança personificada.

A falta de tempo e palavras são elementos que permeiam todo o filme. A imagem síntese disso é demonstrada quando na discussão familiar sobre o desaparecimento de Pierrot, entre Georges e Anne a TV auncia os acontecimentos na Palestina, onde a intolerância e falta diálogo é conhecida em todo o mundo. Haneke aponta alí que o problema é maior, a família do filme é uma referência pra que se discuta a questão da intolerância em toda a sociedade. O diretor pontua o filme com essas questões, como no exemplo da discussão de Georges com um ciclista negro, ambos estão errados, mas nenhum dos dois cedem. Não é a toa que o choro é outro elemento marcante, os personagens dificilmente sorriem, há uma grande carga de ressentimento e mágoas. Esperam estar sozinhos pra colocarem esses sentimentos pra fora. A solidão reina em alguns momentos.

Há também o uso de artimanhas para nos confundir, como algumas inserções rápidas da imagem de Georges quando criança em momentos distintos do filme - a imagem e sua pseudo imagem - resultado do subconsciente de George aflorando, mesmo sem sabermos que trata-se dele, só depois o diretor nos explica quando mostra a infância de George através de seus sonhos. Ou então os desenhos enviados com as fitas pelo observador misterioso, ligações diretas com o que aconteceu ou acontecerá com alguns personagens mas que não tem clara explicação na diegese, funcionando mais como referencia imagética para o espectador do que como prova criminalista.

Mesmo nos momentos em que o filme discute a infância, nas conversas entre mães e filhos, tanto a de George com sua mãe ou entre Anne e Pierrot, percebemos que o objetivo é demarcar ainda mais a questão da falta de palavras. George não se abre com sua mãe, a dificuldade de conversar sobre sentimentos é mais velha do que parece. Já Pierrot cobra da mãe informações sobre o refúgio que ela cria no amigo, mas ela não consegue explica-lo e a situação piora. Anne tenta o carinho, o amor surge pela primeira e única vez no filme através de palavras, mas carece de sentimentos, é ouvido mas parece não ser compreendido.

Não só a criança, mas todo ser humano tem a capacidade de fantasiar quando não fala sobre algo. Isso nos remete a imagem final do filme, a saída da escola sem o garoto, e logo antes a imagem de Majid sendo expulso da casa da família de Georges. Como se o diretor dissesse: Onde está Pierrot? Uma indicação de que os problemas devem ser discutidos no início. Quando isso não acontece, eles atrapalham nossa visão, além de bloquear nossas palavras.

Com Daniel Auteil, Juliette Binoche, Maurice Bénichou, Annie Girardot, Lester Make donsky, Danie Durval, Walid Afkir, Nathalie Richard, Bernard Le Coq.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Haneke

'Caché', de Michael Haneke.

Quem ainda não viu, vá ver. Porque quem viver verá!

sexta-feira, agosto 11, 2006

Pedro Léo Martins / 'E aí Irmão?'

Entrevista

Pedro Léo Martins, 28 anos, foi entrevistado por email sobre seu primeiro curta-metragem. Ele apresentou "E aí, irmão?" em primeira mão, no fim do mês passado(25/07) no Multiplex Iguatemi, Salvador. O curta foi o ganhador do prêmio de roteiro(também escrito por Pedro Léo) do concurso para produção de curta-metragem em 35mm promovido pelo
Braskem (Braskem Cultura e Arte - 2005). Esse curta é o primeiro trabalho em 35mm de um realizador que fez o curso de Cinema e Vídeo da FTC. Na entrevista, fala desde a pré produção do filme até sua exibição.
"E aí, irmão?" tem 20 minutos de duração e trata da repercussão social da proibição, do uso e do tráfico da maconha. Segundo Pedro Léo, a obra não tem por objetivo fazer apologia ao uso da maconha ou realizar julgamentos. Sua idéia é propiciar uma reflexão sobre o assunto.

Cesar Fernando de Oliveira - Para começar queria parabenizá-lo pelo filme e pela exibição, onde tivemos duas sessões lotadas e com grande cartaz do filme. Você bancou a divulgação ou teve apoio/assessoria do Braskem?

Pedro Léo Martins - Bom... A Braskem fez uma assessoria com jornais e o Banner. De ultima hora Marcos Pierry e Adriana Telles deram uma rápida colaboração e foi divulgado em outros jornais e na TV Aratu. A FTC me deu alguns cartazes em cima da hora e assim aconteceu... Tivemos três sessões no Multiplex Iguatemi...Mas eu não banquei nada, não tinha mais dinheiro.

CFO - Antes da exibição no Multiplex Iguatemi você afirmou ter feito o filme com uma proposta de "desmorrização" da maconha, numa tentativa de discutir sobre o tema de fora do morro, mas o que mais permanece ao acabar o filme é que o ciclo da maconha continua, num círculo vicioso onde a pergunta final se une ao título, como num 'loop', sempre voltando ao início. Gostaria que você falasse mais sobre o ponto central do filme.

PLM - O ponto central do filme é mostrar os envolvidos e os envolvimentos das pessoas com a droga. O traficante, os jovens, o morro. Dividir por partes, núcleos, como essa coisa se organiza e se mantém em uma sociedade que não reage, não tem opinião e empurra o assunto com a barriga através de uma repressão estranha, onde a maioria dos envolvidos são os próprios repressores. O nosso pais é refém de traficantes poderosos, organizações bem sucedidas que estão em todos os cargos, que estão por toda parte. É cada vez mais normal a presença da droga na sociedade. Em toda roda de amigos existem usuários, ela esta em toda parte e alguém está ganhando muito com isso. Qual é o problema da Legalização? É pagar imposto? É ter menos lucro? O mundo da propina vai perder? Qual é o individuo que não sabe que ali na esquina vende? Ali mesmo, perto do posto policial! Não falo só da maconha, a maconha é a menos impactante, por isso foi escolhida. Mas eu estou falando da droga ilícita, de seu mundo e mostrando parte dele. A parte onde se encontra o usuário, dentro de um trafico de região, onde a droga vai penetrando por partes e é distribuída. Que é a mesma forma, em proporções maiores de corrupção e coação, "degrais" acima. Eu falo de quem fuma e de quem faz a pequena distribuição, geralmente, quem sofre alguma conseqüência. O fantasma nunca aparece, só em época propicia, e a gente nunca vê o rosto nem ouve falar. Salvo Beira Mar e o cara do PCC, que o Pais não consegue segurar. É muito vergonhoso, um cara desse "dá testa" com as Policias do País, manda matar um monte de gente e ninguém segura, se fosse um Tião (o traficante do morro no filme), ou um Neto (traficante que traz para o morro no filme) já tava morto e enterrado, não que eu seja a favor disso. Qual é o poder de um cara desses? O que sustenta tanta autoridade?
Quis falar um pouco também do usuário, tirar carapaças e estereótipos. O que as mídias passam é que não existe Bom-conheiro só Má-conheiro, o cara sempre é mau-caráter, nunca alguém respeitável ou confiável. No filme eu mostro alguém como outro qualquer. Acho que o caminho para uma conscientização é falar a verdade e encarar fatos, jogar as cartas na mesa. Mas esse não é o interesse. Quando em uma novela da Globo existir um usuário gente boa, vai ser fácil a sociedade aceitar. Acho que a única forma de desarticular toda essa rede, essa teia, essa violência é legalizando, não tem mais jeito. Acho que o nosso País está pronto para a legalização da Maconha, não causaria danos. Já as outras drogas, o País precisa de um preparo, de um trabalho sério e honesto. De tudo que a gente já está careca de saber.
Sobre o loop que você se refere, eu não o vejo. O que vejo é uma história que continua, nada volta ao início, não tem início e não tem fim.

CFO - Seu filme é composto por mais de 20 personagens e possui tramas entrelaçadas, um mosaico de experiências onde a maconha é o tema central. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi a interpretação no conjunto, que mesmo tendo uma quantidade grande de atores não perdeu a verossimilhança, fale um pouco do trabalho com os atores e de toda a produção, principalmente a finalização em 35mm.

PLM - Meu trabalho com os atores começou seis meses antes do prêmio, eu e minha mulher fizemos alguns testes com atores em minha casa e reuniões na Escola de Teatro da UFBA, uma coisa bem precária onde eu não contava com nenhum apoio financeiro e não prometia nada a ninguém. Eu estava querendo fazer a energia girar, tomar corpo. Neste período passaram mais de 50 pessoas por minha casa, das quais permaneceram no elenco final Iara Castro, AC Costa e Franclin Rocha. Quando o premio chegou, uma estrutura pode ser formada e veio o apoio da Companhia de Patifaria que nos cedeu uma sala para os testes. Chamei para trabalhar comigo Fernanda Paquelet, que se interessou e começou a divulgar que havia um teste para um curta, fomos realizado testes, foram mais de 200 pessoas. Os testes giravam em torno do improviso, dentro do contexto do filme, onde se buscava atores que conseguissem se livrar do exagero teatral, pessoas que se permitiam trabalhar e claro, que se parecessem com as personagem. Isso durou um mês. Depois com a equipe formada dediquei dois meses para ensaios em grupo e individuais. Onde fomos descascando aos poucos até chegar ao ponto. Foi um trabalho muito gostoso. Era muito bom escavar o ator até ele encontrar e encarnar a personagem.
Enquanto isso, estávamos procurando as locações pela cidade, tentando encontrar apoios para alimentação, equipamentos, transporte e segurança. E em casa eu desenhava todas as angulações de câmera, enquadramentos e movimentações na planta baixa das locações, planejando e fazendo os ajustes finais, vendo figurinos, objetos de cena, estas coisas. Tudo pronto, uma semana de descanso a todos, uma festa para toda a equipe se conhecer, com o apoio do "Ao Léo bar" que bancou tudo para 53 pessoas. Todo mundo feliz e ansioso partimos para 12 dias de filmagens.
No processo de finalização estávamos com pouca grana e recebemos apoios da DOCDOMA e do CTAV, no tratamento da imagem conseguimos descontos na LABOCINE e quem cuidou do transfer foi Daniel Leite, um cara do RJ com quem espero nunca mais trabalhar. Apesar de ninguém notar durante a projeção, a película esta com um defeito grave no lado esquerdo existe uma interferência magnética, quando descobrimos isso ligamos para ele e o cara se negou a refazer o negativo para a estréia, afirmando que tinha muito trabalho a fazer, sorte que no Multiplex ficou quase imperceptível, mas numa projeção de menor qualidade a coisa fica gritante. Outra merda que o cara fez foi apagar o arquivo digital do filme, ele apagou o arquivo tratado, eu não tenho o filme digital em alta resolução, com tratamento de som e imagem graças a essa proeza dele. Agora estamos brigando para que ele assuma e refaça tudo.
Bem... como eu estava dizendo, estávamos com o orçamento baixo o que impossibilitou a minha ida no RJ durante para a finalização da imagem. Então tive que conversar com Pedro Semanovski aqui para ele realizar lá sem a minha presença, o que não foi difícil, pois desde o começo Pedrinho foi um cara totalmente ligado ao processo, sabia exatamente onde eu queria chegar e realizou tudo muito bem. Eu estava mais preocupado com o tratamento e ajustes do som e escolhi ir pro RJ nessa etapa. O processo foi realizado no CTAV junto com Kiko da DOCDOMA, com o auxilio de Araripe que cedeu sua residência, onde ficamos hospedados durante todo o tempo.
Uma coisa que eu queria chamar a atenção é que praticamente toda a equipe envolvida no filme foi investidora, pois o cachê em geral foi apenas simbólico.

CFO - A gravação foi em digital e a camera na mão está presente em todo o filme, assim como planos curtos, rápidos e de angulações variadas, o que me pareceu mais como uma busca do que uma proposta de linguagem. Gostaria que falasse sobre a forma do filme e as referências cinematográficas da obra.

PLM - Bem... como eu falei na resposta anterior a linguagem estava toda estudada em desenhos e observações. O roteiro pedia uma dinâmica muito forte por ter muitos detalhes e muitos personagens, cenas com muitas ações a serem mostradas ao mesmo tempo, de perto, buscando um realismo. Eram 23 personagens e 18 locações para 20 minutos de filme com créditos, ou seja, menos de um minuto para cada personagem. Em Alguns momentos no filme o off não se relaciona com a imagem são coisas separadas, acho que apenas isso é uma novidade que experimentei, acho que temos a capacidade de assimilar duas coisas, que não se ligam diretamente, mas que estão dentro do mesmo conteúdo, ao mesmo tempo, isso funcionou mais-ou-menos, sempre que alguém tem uma duvida quanto ao desfecho ela está dentro dessa parte. Eu tinha que aproveitar ao máximo o tempo, o filme está o tempo todo dentro da historia sem contemplações tudo está "na lata", de forma direta. A linguagem se construiu harmoniosamente e anteriormente à filmagem. Durante a criação quis me libertar de tudo, quis ficar o mais livre possível para perceber a melhor forma de contar a historia sem me preocupar se seria uma proposta nova ou não, seguindo apenas as necessidades. Queria realizar da melhor forma possível dentro de uma realidade financeira. E o que percebi é que era chão, corpo-a-corpo, câmera na mão - Se dinheiro não fosse problema eu arriscaria mais. A câmera seria uma coisa flutuante - Claro que referências sempre existem, mesmo que escondidas no subconsciente.

CFO - Como você está vendo o mercado audiovisual com relação a exibição de curtas e quais suas propostas para exibição de "E aí, irmão"? Quais seus projetos futuros e expectativas?

PLM - Meu acesso a curtas é via internet, festivais, mostras e salas de arte. Acho ruim realizar um filme e não ter espaço para expor, mesmo filmes premiados têm dificuldades para uma projeção em cinemas. Onde realmente o curta ganha publico é na internet.
Por enquanto não estou pensando em exibições de "E aí, irmão?", nesse momento quero tentar participar de todos os festivais possíveis para ele. Quando acabar este circuito veremos o que acontece.
Idéias... projetos existem muitos, uns estão nas gavetas, outros por ai em editais.
Um projeto de documentário foi aprovado agora pelo Minc e pela Funarte. Até o final do ano estaremos com a mão na massa em um media-metragem. Não quero entrar em detalhes agora, deixa a coisa rolar por inteiro.
A expectativa é que essa maquina a vapor não pare, que ganhe cada vez mais embalo, derrame seu tapete de trilhos por ai e vá se transformando em uma fortaleza indomada. Que o artista ganhe, realmente, sua liberdade justa, para falar, gritar, expor suas idéias, suas criticas, suas inquietações, transbordar seus sonhos, suas paixões. E que esse trem um dia voe.

____________________________________________

“O Anjo Daltônico” (2005) de Fábio Rocha, foi o primeiro curta-metragem gerado pelo concurso de roteiros do Braskem Cultura e Arte em 2004.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Cinepílula

Rompendo a linearidade

Comparando-se a camera cinematográfica com um olho, ela seria o olho do cineasta. Assim, a camera deixa de ser apenas uma engrenagem que filma, nela se concentrará também todo um "equipamento intelectual".
Cada olho tem um comprometimento, uma história acumulada, um gosto. Assim, a camera passa a ser o cineasta, e esse será um ponto de vista na infinidade de imagens possíveis em todo mundo.
A camera é necessária para o registro da imagem, mas isso não quer dizer que não temos imagem sem camera. Partindo-se então da imagem e não da camera, rompe-se a linearidade, já que não limitamos as imagens a um único ponto de vista, de uma única camera.


___________________
Dica: SARNO, Geraldo. Glauber Rocha e o Cinema latino-americano. Rio de Janeiro, UFRJ, Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, 1995.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Nave cinematográfica



Encaminhando:

Nave no Cinema

Você já pensou em ir a uma festa vestido como seu personagem preferido do cinema? E de quebra ainda dançar a noite inteira ao som das trilhas sonoras de seus filmes prediletos? Se não pensou, pense. Assuma seu lado estrela e se prepare para uma viagem pelo mundo da sétima arte embalado pelas músicas que enchem as salas de exibição. É a volta da Nave, a melhor festa da cidade, que aterrissa no Largo de Santana, no Rio Vermelho, num novo espaço, o bar Santa Maria, Pinta e Nina. A decolagem está marcada para o próximo sábado, dia 12/8, a partir das 23 horas, reunindo um time de seis DJs prontos para estremecer o assoalho das duas pistas de dança até o amanhecer com sons das mais diversas épocas e estilos. O clima é, ao mesmo tempo, um misto de festa e cinema, com exibição de filmes, decoração especial, promoções e muito mais.
Para a festa deste mês foram convocados os DJs Ramon Prates, Schneider, Vega e Gme os dois DJs residentes e produtores da festa, Janocide e el Cabong, que prometem criar o clima da festa com os seus já tradicionais repertórios, que sempre incluíram referências ao cinema, e claro, muitas surpresas. A viagem está agendada, chame seus amigos e prepare os pés, pois a noite vai ser longa. Hasta la vista, baby e que a força esteja com você.

Serviço:
Nave no Cinema
Rock - música pop - trilhas sonoras - pipoca

DJs:
el Cabong/ Janocide/ Ramon Prates
Vega/ Schneider/ Gabriela Q.


12.08.2006 23h R$10

Santa Maria, Pinta e Nina
(Largo de Santana, Rio Vermelho)
Salvador-BA

Contato: festanave@gmail.com

Fotolog: www.fotolog.com/nave_/

Orkut: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2007490

terça-feira, agosto 08, 2006

Diretores Latinos



Começou no domingo(06/08), às 19 horas, o programa ‘Diretores Latinos’ do canal fechado TNT. O primeiro entrevistado foi o diretor brasileiro Fernando Meirelles. Com carreira espetacular na Publicidade e TV, tendo importante participação na Videoarte brasileira, deixa agora registrada sua marca no Cinema.

Meirelles comentou no programa um pouco sobre sua "história audiovisual" e o acordo de sua produtora, a O2 Filmes, com a Hollywoodiana Universal para a produção de longa-metragens no Brasil a partir de 2007. Com 30 minutos de duração, edição rápida e divididos em três blocos, o programa tem seus méritos ao direcionar os olhos para uma cinematografia emergente e original, mas deixou a desejar pela pouca profundidade dada ao tema. Muita coisa do que se falou no programa pode ser conhecida assistindo os extras encontrados nos DVD’s com filmes do entrevistado.

Pra quem não conferiu no domingo, o programa tem reprises nas quartas, sextas e domingos. O próximo entrevistado é o diretor argentino Fabián Belinsky, de Nove Rainhas, falecido precocemente aos 47 anos no dia 28 de junho. Segue a lista de outros diretores para esse mês:

13/08 - Fabián Belinsky (Nove Rainhas)
20/08 - Andrés Wood (Machuca)
27/08 - Alejandro González Iñárritu (Amores Brutos)

quinta-feira, agosto 03, 2006

Acerca de la vida

SOBRE A VIDA
Ignácio Ceruti, Acerca de la vida, Cuba, 2003
(Cor, 11 min)

Poesia do silêncio

Sem diálogos ou trilha sonora, Ceruti usa somente imagens e ruídos e faz um filme sobre a fragilidade humana de dentro de um cemitério, criando poesia já com o título, "Sobre a vida".

Logo após alguns minutos de filme onde tínhamos imagens do concreto de lápides e corredores de um cemitério, começamos a acompanhar o processo de exumação e a colocação de cadáveres em caixotes numerados. Cadáveres porque os ossos eram retirados das tumbas ainda com um pouco de pele, pelos e roupas. Para que entrassem nos caixotes era necessário que os restos mortais fossem esquartejados, assim acompanhamos todo o processo, o que resulta em imagens de uma força visual tremenda, como se cada quadro nos martelasse, demonstrando como somos seres frágeis, perecíveis, escondidos nas carapuças(concreto) que nos cabem.

Um forte exemplo de como a imagem por si só já diz muito, um trabalho cuidadoso do diretor de fotografia Matheus Rocha, com planos fixos e marcantes, de composições admiráveis, aliado a um desenho de som minimalista, criado por Shinya Kitamura, onde o silêncio e o som do arrastar de caixões é predominante. Um trabalho curto e intimista que faz muito barulho em nossa cabeça mesmo não tendo quase som algum.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Homenagem a Walter da Silveira

Walter da Silveira

A partir de 03/08/2006, às 19h, na Galeria Pierre Verger (Barris), começa a mostra biográfica intitulada Homenagem a Walter da Silveira, que segue até dia 27, realizada por iniciativa da Fundação Cultural do Estado, marca também a inauguração de uma placa comemorativa com a reprodução da imagem do pesquisador.

A galeria exibe 28 fotografias que registram episódios da ativa militância de Silveira como cinéfilo e também como advogado trabalhista, profissão que lhe deu diploma. O público confere ainda instantes mais leves do cineclubista com a família e amigos ilustres, como Vinicius de Moraes, Nelson Pereira dos Santos, Alex Viany, Jorge Amado, Vivaldo Costa Lima, Carybé, Anselmo Duarte, Jorge Amado, Jean-Claude Bernadet, Doris Monteiro, Anselmo Duarte, Geraldo D´el Rey e Jece Valadão.

Boa parte das fotos foi tirada na década de 50, época em que atuou como principal agitador do Clube de Cinema, fundado no auditório da Secretaria de Educação. A instituição, que reunia também outros admiradores da sétima arte como Orlando Senna, Rex Schindler, Roberto Pires, Carlos Coqueijo Costa e João Palma Neto, abriu caminho para que a Bahia se tornasse centro difusor de cultura cinematográfica, cujo marco foi Redenção, filme de Roberto Pires, o primeiro longa-metragem inteiramente produzido no estado.

Soteropolitano, Walter da Silveira nasceu em 22 de julho de 1915 e morreu em 5 de novembro de 1970, tendo deixado importante legado crítico, sempre se posicionando ao lado e a favor do cinema nacional de perspectiva humanística e revolucionária, tanto do ponto de vista estético como em relação ao conteúdo de suas abordagens.

Presença freqüente e destacada de congressos, festivais e demais eventos cinematográficos, foi eleito membro da Comissão Permanente de Defesa do Cinema Brasileiro e foi um dos fundadores do Clube de Cinema da Bahia, da Associação dos Críticos Cinematográficos da Bahia e do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro. Também foi membro da Academia de Letras da Bahia, empossado na cadeira de número 13.

Mais informações.

Cidadão Walter, por André Setaro.

terça-feira, agosto 01, 2006

Perdidos na Noite

Midnight Cowboy, 1969

sexta-feira, julho 21, 2006

E aí irmão?

O curta-metragem feito em 35mm 'E aí irmão?' do estreante cineasta Pedro Léo terá exibição única no Multiplex Iguatemi, dia 25/07(Terça feira), às 21:00h, com entrada aberta pra quem quiser conferir. O curta trata da relação da sociedade com a maconha, desde seu comércio ilícito até o usuário.

A pergunta-título do curta já deixa clara a intenção do jovem cineasta de fazer com que o espectador reflita, através da dúvida, qual a postura deve-se tomar diante do delicado e polêmico tema.

O curta ganhou o Prêmio Braskem de melhor roteiro em 2005, também escrito por Pedro Léo. Esse é o primeiro trabalho em 35mm de um realizador que fez o curso de Cinema e Vídeo da FTC(Faculdade de Tecnologia e Ciências) em Salvador.

Quem

Cesar Fernando de Oliveira

Mais um astronauta no Chipre

My profile

Sobre

Cinema e palavras vagando na rede...

últimos posts

Google
 
Web URL DO SEU SITE
online